
Resumo
Zumbido é sintoma, não doença. Entre pessoas com disfunção da mandíbula, cerca de uma em cada três relata zumbido. O sinal mais útil é simples: se o som muda quando você abre a boca ou aperta os dentes, vale investigar a mandíbula. A avaliação médica com exame de audição vem primeiro, sempre.
Você escuta um apito que ninguém mais escuta. Já foi ao médico, fez exame de ouvido, ouviu que está tudo normal. E o som continua lá.
Existe uma possibilidade que costuma passar despercebida: a articulação que fica a poucos milímetros do seu ouvido.
Um em cada três
A articulação temporomandibular, a ATM, liga a mandíbula ao crânio e fica logo à frente do canal auditivo. A relação dela com o zumbido é das mais estudadas na área.
Alghamdi e colaboradores · 2026
Leia esse número com cuidado: as duas coisas aparecem juntas com muita frequência. Isso não quer dizer que uma cause a outra. Quer dizer que vale investigar.
O teste que só você pode fazer
Existe um subtipo reconhecido na literatura em que o zumbido muda conforme você mexe a mandíbula ou o pescoço. Chama-se zumbido somatossensorial.
Michiels e colaboradores · 2018
Faça agora, leva quinze segundos:
- Abra bem a boca e feche devagar. O som mudou de volume ou de tom?
- Aperte os dentes por cinco segundos e solte. Alguma diferença? Alguma dor perto da orelha?
- Encoste os dedos à frente das orelhas e abra a boca. Sente estalo, ou um lado se movendo diferente do outro?
Se alguma resposta foi sim, você acabou de reunir uma informação clínica que nenhum exame capta e que só você consegue observar.
Quer avaliar o seu caso?
A consulta com a Dra. Debora Ayala dura uma hora e meia e começa por ouvir o que você observou.
Alameda Lorena, 1.304 · Jardim Paulista, São Paulo
Tratar a mandíbula ajuda?
Em parte dos casos. E vale dizer o tamanho desse “em parte”.
Van der Wal e colaboradores · 2020
Ou seja: pode reduzir a intensidade em parte das pessoas. O que os estudos mediram foi redução, não o fim do som. Quem promete acabar com o zumbido está prometendo o que a literatura não sustenta.
O caminho certo, nessa ordem
Primeiro o médico. Queixa de zumbido pede avaliação médica, e o otorrinolaringologista é o caminho natural. Existem causas que só essa avaliação identifica.
Não espere
Procure o médico com urgência se o zumbido for de um ouvido só, pulsar junto com o batimento cardíaco, vier com perda de audição ou com alteração neurológica. A diretriz americana sobre zumbido pede exame de audição completo nesses casos.
Depois, a avaliação odontológica. Ela é complementar, não substitui a médica. Faz sentido quando o zumbido muda ao mexer a boca, quando há dor, estalo ou travamento na mandíbula, quando você acorda com o rosto tenso, ou quando o exame médico não encontrou nada que explique o sintoma.
O que se examina é a função: como a mandíbula se move, como os dentes se encontram quando você fecha a boca, como está a musculatura do rosto e do pescoço.
O que levar na consulta
- O resultado dos três testesSe o som muda ao abrir a boca, ao apertar os dentes, se há estalo
- O laudo da avaliação médicaPrincipalmente se deu normal
- A lista dos seus medicamentosAlguns podem ter o zumbido como efeito
- Quando começouMês e ano aproximados já bastam
- A sua placa, se você usaMesmo que seja antiga
Importante
Reconhecer vários sinais não significa que a causa do seu zumbido é a mandíbula. Significa que vale investigar. Quem conclui isso é o profissional, com exame clínico, nunca uma lista.
Se o seu zumbido muda quando você mexe a boca, isso já é uma informação clínica. Vale conversar sobre o seu caso.
Perguntas frequentes
Zumbido no ouvido pode ser causado pela mandíbula?
Zumbido e disfunção da articulação da mandíbula (DTM) aparecem juntos com muita frequência: uma metanálise de 34 estudos e 47.349 participantes encontrou que cerca de uma em cada três pessoas com DTM relata zumbido. Os estudos disponíveis, porém, não permitem afirmar que a DTM cause o zumbido, mostram associação, não causa.
O que é zumbido somatossensorial?
É o subtipo em que estímulos vindos da mandíbula ou do pescoço alteram a percepção do zumbido. Um painel internacional publicado em Trends in Hearing, em 2018, reuniu critérios que sugerem fortemente esse quadro, entre eles o zumbido mudar quando a pessoa movimenta a mandíbula, a cabeça ou o pescoço. Nenhum critério isolado precisa estar presente em todos os pacientes.
Tratar a mandíbula faz o zumbido passar?
Em parte dos casos há melhora, e raramente o desaparecimento. Num ensaio clínico com 80 pacientes, o tratamento conservador da mandíbula trouxe melhora clinicamente relevante do zumbido em 41% dos pacientes logo após o tratamento e em 61% no acompanhamento. Cerca de 35% dessa melhora é explicada pela redução da dor na articulação.
Devo procurar o otorrinolaringologista ou o dentista primeiro?
Comece pela avaliação médica. A diretriz de zumbido da American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery recomenda história e exame físico direcionados na primeira consulta e exame auditivo completo, com urgência quando o zumbido é de um só ouvido, dura seis meses ou mais, ou vem com dificuldade de ouvir. A avaliação odontológica é complementar.
Quando o zumbido é sinal de urgência?
Procure avaliação médica sem esperar quando o zumbido pulsa junto com o batimento cardíaco, é de apenas um ouvido, vem acompanhado de perda de audição ou de qualquer alteração neurológica. Nesses casos a diretriz abre exceção à recomendação geral de não fazer imagem de rotina.
Uma hora e meia, com a própria dentista
- Avaliação funcional completa da mordida e da articulação
- Scanner digital e exames de imagem quando indicados
- Um plano explicado antes de qualquer coisa começar
Alameda Lorena, 1.304 · Jardim Paulista, São Paulo
Referências
- Alghamdi H. A., Alwably A. A., Alsaad F. I. e colaboradores. Temporomandibular joint disorders and tinnitus: a systematic review and meta-analysis. BMC Oral Health, 2026. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13032230
- Michiels S., Sanchez T. G., Oron Y. e colaboradores. Diagnostic Criteria for Somatosensory Tinnitus: A Delphi Process and Face-to-Face Meeting to Establish Consensus. Trends in Hearing, 2018; 22. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6144502
- Van der Wal A., Michiels S., Van de Heyning P. e colaboradores. Treatment of Somatosensory Tinnitus: A Randomized Controlled Trial. Journal of Clinical Medicine, 2020; 9(3):705. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7141361
- Van der Wal A. e colaboradores. Reduction of Somatic Tinnitus Severity is Mediated by Improvement of Temporomandibular Disorders. Otology & Neurotology, 2022; 43(3). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35020685
- Tunkel D. E., Bauer C. A., Sun G. H. e colaboradores. Clinical Practice Guideline: Tinnitus. Otolaryngology–Head and Neck Surgery, 2014; 151(2 Suppl). American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery
