Zumbido no ouvido: quando a causa pode estar na mandíbula

Ondas concêntricas representando o zumbido percebido no ouvido
Zumbido no ouvido: quando a causa pode estar na mandíbula

Resumo

Zumbido é sintoma, não doença. Entre pessoas com disfunção da mandíbula, cerca de uma em cada três relata zumbido. O sinal mais útil é simples: se o som muda quando você abre a boca ou aperta os dentes, vale investigar a mandíbula. A avaliação médica com exame de audição vem primeiro, sempre.

Você escuta um apito que ninguém mais escuta. Já foi ao médico, fez exame de ouvido, ouviu que está tudo normal. E o som continua lá.

Existe uma possibilidade que costuma passar despercebida: a articulação que fica a poucos milímetros do seu ouvido.

Um em cada três

A articulação temporomandibular, a ATM, liga a mandíbula ao crânio e fica logo à frente do canal auditivo. A relação dela com o zumbido é das mais estudadas na área.

Uma metanálise de 34 estudos e 47.349 participantes encontrou zumbido em 31,8% das pessoas com disfunção temporomandibular, contra uma chance quase 4 vezes menor em quem não tem o problema. Os autores registram que o desenho dos estudos não permite afirmar causa.
Alghamdi e colaboradores · 2026

Leia esse número com cuidado: as duas coisas aparecem juntas com muita frequência. Isso não quer dizer que uma cause a outra. Quer dizer que vale investigar.

O teste que só você pode fazer

Existe um subtipo reconhecido na literatura em que o zumbido muda conforme você mexe a mandíbula ou o pescoço. Chama-se zumbido somatossensorial.

Um painel internacional listou os critérios que sugerem fortemente esse quadro. Um deles: o zumbido mudar quando a pessoa movimenta a mandíbula, a cabeça ou o pescoço.
Michiels e colaboradores · 2018

Faça agora, leva quinze segundos:

  1. Abra bem a boca e feche devagar. O som mudou de volume ou de tom?
  2. Aperte os dentes por cinco segundos e solte. Alguma diferença? Alguma dor perto da orelha?
  3. Encoste os dedos à frente das orelhas e abra a boca. Sente estalo, ou um lado se movendo diferente do outro?

Se alguma resposta foi sim, você acabou de reunir uma informação clínica que nenhum exame capta e que só você consegue observar.

Quer avaliar o seu caso?

A consulta com a Dra. Debora Ayala dura uma hora e meia e começa por ouvir o que você observou.

Alameda Lorena, 1.304 · Jardim Paulista, São Paulo

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Tratar a mandíbula ajuda?

Em parte dos casos. E vale dizer o tamanho desse “em parte”.

Num ensaio com 80 pacientes, o tratamento conservador da mandíbula e da musculatura trouxe melhora clinicamente relevante em 41% logo depois e 61% no acompanhamento. No questionário principal do estudo os números foram menores, 34% e 46%, e a diferença entre os grupos não alcançou relevância clínica.
Van der Wal e colaboradores · 2020

Ou seja: pode reduzir a intensidade em parte das pessoas. O que os estudos mediram foi redução, não o fim do som. Quem promete acabar com o zumbido está prometendo o que a literatura não sustenta.

O caminho certo, nessa ordem

Primeiro o médico. Queixa de zumbido pede avaliação médica, e o otorrinolaringologista é o caminho natural. Existem causas que só essa avaliação identifica.

Não espere

Procure o médico com urgência se o zumbido for de um ouvido só, pulsar junto com o batimento cardíaco, vier com perda de audição ou com alteração neurológica. A diretriz americana sobre zumbido pede exame de audição completo nesses casos.

Depois, a avaliação odontológica. Ela é complementar, não substitui a médica. Faz sentido quando o zumbido muda ao mexer a boca, quando há dor, estalo ou travamento na mandíbula, quando você acorda com o rosto tenso, ou quando o exame médico não encontrou nada que explique o sintoma.

O que se examina é a função: como a mandíbula se move, como os dentes se encontram quando você fecha a boca, como está a musculatura do rosto e do pescoço.

O que levar na consulta

  • O resultado dos três testesSe o som muda ao abrir a boca, ao apertar os dentes, se há estalo
  • O laudo da avaliação médicaPrincipalmente se deu normal
  • A lista dos seus medicamentosAlguns podem ter o zumbido como efeito
  • Quando começouMês e ano aproximados já bastam
  • A sua placa, se você usaMesmo que seja antiga

Importante

Reconhecer vários sinais não significa que a causa do seu zumbido é a mandíbula. Significa que vale investigar. Quem conclui isso é o profissional, com exame clínico, nunca uma lista.

Se o seu zumbido muda quando você mexe a boca, isso já é uma informação clínica. Vale conversar sobre o seu caso.

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Perguntas frequentes

Zumbido no ouvido pode ser causado pela mandíbula?

Zumbido e disfunção da articulação da mandíbula (DTM) aparecem juntos com muita frequência: uma metanálise de 34 estudos e 47.349 participantes encontrou que cerca de uma em cada três pessoas com DTM relata zumbido. Os estudos disponíveis, porém, não permitem afirmar que a DTM cause o zumbido, mostram associação, não causa.

O que é zumbido somatossensorial?

É o subtipo em que estímulos vindos da mandíbula ou do pescoço alteram a percepção do zumbido. Um painel internacional publicado em Trends in Hearing, em 2018, reuniu critérios que sugerem fortemente esse quadro, entre eles o zumbido mudar quando a pessoa movimenta a mandíbula, a cabeça ou o pescoço. Nenhum critério isolado precisa estar presente em todos os pacientes.

Tratar a mandíbula faz o zumbido passar?

Em parte dos casos há melhora, e raramente o desaparecimento. Num ensaio clínico com 80 pacientes, o tratamento conservador da mandíbula trouxe melhora clinicamente relevante do zumbido em 41% dos pacientes logo após o tratamento e em 61% no acompanhamento. Cerca de 35% dessa melhora é explicada pela redução da dor na articulação.

Devo procurar o otorrinolaringologista ou o dentista primeiro?

Comece pela avaliação médica. A diretriz de zumbido da American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery recomenda história e exame físico direcionados na primeira consulta e exame auditivo completo, com urgência quando o zumbido é de um só ouvido, dura seis meses ou mais, ou vem com dificuldade de ouvir. A avaliação odontológica é complementar.

Quando o zumbido é sinal de urgência?

Procure avaliação médica sem esperar quando o zumbido pulsa junto com o batimento cardíaco, é de apenas um ouvido, vem acompanhado de perda de audição ou de qualquer alteração neurológica. Nesses casos a diretriz abre exceção à recomendação geral de não fazer imagem de rotina.

Uma hora e meia, com a própria dentista

  • Avaliação funcional completa da mordida e da articulação
  • Scanner digital e exames de imagem quando indicados
  • Um plano explicado antes de qualquer coisa começar

Alameda Lorena, 1.304 · Jardim Paulista, São Paulo

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Referências

  1. Alghamdi H. A., Alwably A. A., Alsaad F. I. e colaboradores. Temporomandibular joint disorders and tinnitus: a systematic review and meta-analysis. BMC Oral Health, 2026. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13032230
  2. Michiels S., Sanchez T. G., Oron Y. e colaboradores. Diagnostic Criteria for Somatosensory Tinnitus: A Delphi Process and Face-to-Face Meeting to Establish Consensus. Trends in Hearing, 2018; 22. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6144502
  3. Van der Wal A., Michiels S., Van de Heyning P. e colaboradores. Treatment of Somatosensory Tinnitus: A Randomized Controlled Trial. Journal of Clinical Medicine, 2020; 9(3):705. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7141361
  4. Van der Wal A. e colaboradores. Reduction of Somatic Tinnitus Severity is Mediated by Improvement of Temporomandibular Disorders. Otology & Neurotology, 2022; 43(3). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35020685
  5. Tunkel D. E., Bauer C. A., Sun G. H. e colaboradores. Clinical Practice Guideline: Tinnitus. Otolaryngology–Head and Neck Surgery, 2014; 151(2 Suppl). American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery

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Tags :
articulação temporomandibular,ATM,bruxismo,dentista Jardins,dor de cabeça,DTM,zumbido

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Dra. Debora Ayala

Com mais de 35 anos de experiência, é a única brasileira premiada com 1º lugar na Academia Européia de Estética por técnica desenvolvida por ela.

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