
Resumo
Existem dois bruxismos. O do sono é o que range à noite. O de vigília, manter os dentes encostados ou travar a mandíbula durante o dia, é o mais comum dos dois, 23% da população contra 21%, e pode durar horas sem fazer barulho. A placa protege o dente, mas não trata nenhum dos dois. O que precisa ser investigado é a mordida, o seu dia e o seu sono.
Você acorda com a mandíbula travada. Ou se pega, no meio do dia, com os dentes encostados e o maxilar tenso. Comprou uma placa, usa todas as noites, e a sensação continua.
Duas coisas precisam ser ditas. A placa protege o seu dente, ela não trata o seu bruxismo. E existem dois bruxismos, não um.
São dois, e o mais comum não é o da noite
O bruxismo do sono é a atividade dos músculos da mastigação enquanto você dorme. É o que range, o que o parceiro escuta.
O bruxismo de vigília acontece acordado. Não é ranger: é manter os dentes encostados, apertar de leve e sustentar, ou travar a mandíbula enquanto você trabalha, dirige ou olha o celular. Quase ninguém percebe.
Verhoeff, Lobbezoo e colaboradores · 2025
E aqui está o dado que muda a conversa:
Zieliński, Pająk e Wójcicki · 2024
Faz sentido quando se pensa no relógio. O bruxismo do sono acontece em episódios curtos durante a noite. O de vigília pode durar horas, todos os dias, sem um único barulho. É por isso que muita gente usa placa há anos e continua com dor. A placa não está no lugar certo na hora certa.
Por que a placa não resolve sozinha
A placa é uma barreira física. Fica entre as arcadas e recebe a força que iria para o dente. Isso é proteção, e proteção boa, de noite.
Macedo e colaboradores · 2007
Ou seja: a placa cuida da estrutura. A causa continua sem resposta. E a pergunta que muda o tratamento é outra: por que você aperta?
Quer avaliar o seu caso?
A consulta com a Dra. Debora Ayala dura uma hora e meia e começa por ouvir o que você observou.
Alameda Lorena, 1.304 · Jardim Paulista, São Paulo
O que a gente investiga
A mordida e a articulação. Como os dentes se encontram quando você fecha, onde há contato que chega antes dos outros, como está a musculatura do rosto. É o terreno direto da odontologia.
O seu dia. No bruxismo de vigília isso é metade do trabalho. Em que momentos você se pega apertando: no computador, no trânsito, numa conversa difícil. Esse mapeamento é simples e ninguém faz.
O seu sono. Quem range à noite merece ter o sono avaliado por um médico. Bruxismo e apneia aparecem juntos com frequência, embora a literatura ainda não confirme uma relação entre os dois em adultos. Diagnóstico de apneia é do médico. À odontologia cabe a mandíbula, o desgaste, a mordida e, quando indicado, o aparelho.
O que observar
Marque o que reconhece e traga para a consulta.
- Você acorda com a mandíbula travada ou doloridaPrincipalmente nos primeiros minutos do dia
- Durante o dia, se pega com os dentes encostadosEm repouso, os dentes de cima e de baixo não deveriam se tocar
- Alguém já ouviu você ranger à noiteNormalmente quem dorme do lado
- Dor de cabeça que começa nas têmporasAo acordar, ou acumulando ao longo do dia
- Dentes mais curtos, lascados ou sensíveisPrincipalmente os da frente e as pontas dos caninos
- Restaurações que soltam ou trincam com frequênciaA carga repetida cobra da restauração antes do dente
- Marca dos dentes na língua ou na bochechaDá para ver no espelho
- Você ronca ou acorda sem se sentir descansadoMotivo para avaliar o sono com um médico
Importante
Esta lista não fecha nada. O bruxismo é avaliado com exame clínico e, quando indicado, exame do sono. Reconhecer vários itens é motivo para procurar avaliação, não para concluir.
Quando procurar avaliação
Vale buscar avaliação se há desgaste visível nos dentes, dor na mandíbula, no rosto ou no ouvido, se você já usa placa e os sintomas continuam, ou se existe ronco e sono que não descansa.
O objetivo não é acabar com o bruxismo por decreto. É entender o que sustenta o comportamento e proteger a estrutura enquanto se trabalha a causa.
A sua placa continua tendo lugar
Nada aqui diz para parar de usar. Ela protege, e proteger importa. O que este texto diz é que a placa não deveria ser o fim da conversa. Deveria ser o começo.
Se você já usa placa e os sintomas continuam, a placa está fazendo o trabalho dela. Falta investigar o que está por trás.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre bruxismo do sono e de vigília?
O do sono acontece dormindo, em episódios curtos ao longo da noite, e normalmente faz barulho. O de vigília acontece acordado: manter os dentes encostados, apertar de leve e sustentar, ou travar a mandíbula durante o dia. Não faz barulho e pode durar horas.
Qual dos dois é mais comum?
O de vigília. Uma metanálise publicada em 2024 encontrou 23% da população com bruxismo de vigília contra 21% com bruxismo do sono. Entre mulheres adultas a diferença é maior: 18,4% contra 14,5%.
A placa resolve o bruxismo?
Não. Ela protege o dente da força, e isso é importante. A revisão Cochrane sobre placas concluiu que não há evidência suficiente para afirmar que a placa trate o bruxismo do sono. E ela não está na boca durante o dia, que é quando o bruxismo de vigília acontece.
Bruxismo é doença?
Pelo consenso internacional de 2025, não: nos dois tipos é um comportamento da musculatura da mastigação. O que torna o assunto clínico são as consequências: desgaste, trincas, restaurações que fraturam e dor na mandíbula.
Bruxismo tem relação com apneia do sono?
As duas condições aparecem juntas com frequência, mas uma revisão publicada na revista Sleep em 2022 concluiu que não é possível confirmar relação entre bruxismo do sono e apneia obstrutiva do sono em adultos. Na prática, é motivo para avaliar o sono com um médico, não para afirmar que uma causa a outra.
Uma hora e meia, com a própria dentista
- Avaliação funcional completa da mordida e da articulação
- Scanner digital e exames de imagem quando indicados
- Um plano explicado antes de qualquer coisa começar
Alameda Lorena, 1.304 · Jardim Paulista, São Paulo
Referências
- Verhoeff M. C., Lobbezoo F., Ahlberg J. e colaboradores. Updating the Bruxism Definitions: Report of an International Consensus Meeting. Journal of Oral Rehabilitation, 2025; 52(9):1335–1342. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12408978
- Lobbezoo F., Ahlberg J., Raphael K. G. e colaboradores. International consensus on the assessment of bruxism: Report of a work in progress. Journal of Oral Rehabilitation, 2018; 45(11):837–844. onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/joor.12663
- Zieliński G., Pająk A., Wójcicki M. Global Prevalence of Sleep Bruxism and Awake Bruxism in Pediatric and Adult Populations: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Clinical Medicine, 2024; 13(14):4259. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11278015
- Macedo C. R., Silva A. B., Machado M. A. C., Saconato H., Prado G. F. Occlusal splints for treating sleep bruxism (tooth grinding). Cochrane Database of Systematic Reviews, 2007, CD005514. cochrane.org
- Hardy R. S., Bonsor S. J. The efficacy of occlusal splints in the treatment of bruxism: A systematic review. Journal of Dentistry, 2021. sciencedirect.com
- Pauletto P. e colaboradores. Sleep bruxism and obstructive sleep apnea: association, causality or spurious finding? A scoping review. Sleep, 2022; 45(7):zsac073. academic.oup.com
- Polmann H., Réus J. C. e colaboradores. Association between sleep bruxism and stress symptoms in adults: A systematic review and meta-analysis. Journal of Oral Rehabilitation, 2021. onlinelibrary.wiley.com
