O fio dental pode ser tóxico? O que você precisa saber para usar com segurança
O fio dental sempre foi um dos grandes aliados da saúde bucal. Ele entra onde a escova não alcança, remove placa, restos de alimentos e ajuda a prevenir gengivite, cáries Inter proximais e doença periodontal.
Nos últimos anos, porém, uma pergunta começou a aparecer em consultório e nas redes: “O fio dental pode ser tóxico?”
Essa dúvida não surgiu do nada. Estudos recentes têm investigado a presença de PFAS (as chamadas “substâncias eternas”) em alguns tipos de fio dental – especialmente aqueles super “deslizantes”, feitos com PTFE. Esses compostos são conhecidos por sua persistência no organismo e no meio ambiente e vêm sendo associados a possíveis impactos sistêmicos à saúde.
A questão central não é abandonar o fio dental, mas entender quais tipos escolher e como reduzir a exposição desnecessária a essas substâncias, sem comprometer a higiene bucal.
O que são PFAS e por que podem estar no seu fio dental
Os PFAS (per e polifluoralquil substâncias) são uma grande família de compostos sintéticos usados há décadas em diversos produtos por serem resistentes à água, à gordura e às manchas. Estão em revestimentos antiaderentes, embalagens de alimentos, tecidos impermeáveis, espumas de combate a incêndio e, em alguns casos, em produtos de higiene pessoal.
No contexto do fio dental, eles aparecem principalmente em fios descritos como:
- “super deslizantes”
- “tipo Glide”
- feitos com PTFE (politetrafluoretileno), o mesmo polímero usado em alguns revestimentos antiaderentes
Esse material confere ao fio uma sensação muito agradável de deslizamento, especialmente para quem tem pouco espaço entre os dentes. No entanto, ele também pode estar associado à presença de compostos fluorados que entram na categoria dos PFAS.

O que a ciência já sabe sobre fio dental, PFAS e exposição no organismo
Dois conjuntos de evidências ganharam destaque nos últimos anos:
1. Estudo de 2019 com mulheres usando fio “tipo Glide”
Um estudo publicado em 2019 no Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology avaliou 178 mulheres e investigou comportamentos associados a maiores níveis de PFAS no sangue. Entre esses comportamentos, estava o uso de um fio dental específico, feito de PTFE (como o conhecido modelo “Glide”).
As participantes que relatavam usar esse tipo de fio apresentaram níveis mais altos de um PFAS específico (PFHxS) em comparação às que não utilizavam. Testes de laboratório também detectaram flúor (indicativo de compostos fluorados) em alguns desses fios.
Esse estudo foi importante porque sugeriu que certos fios dentais revestidos ou feitos com PFAS podem contribuir para a carga dessas substâncias no organismo.
2. Estudo de 2025 com milhares de adultos
Em 2025, um novo trabalho – também publicado no Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology – analisou dados de 6.750 adultos a partir de levantamentos populacionais de saúde nos EUA (NHANES). Esse estudo comparou quem usava fio dental com quem não usava e avaliou diferentes PFAS no sangue.
Os resultados mostraram um quadro mais complexo:
- Usuários de fio dental apresentaram níveis um pouco mais altos de alguns PFAS específicos (como PFOA e PFOS);
- Ao mesmo tempo, o “peso total” de PFAS no organismo foi, em média, até menor em usuários de fio dental do que em não usuários, quando avaliado de forma integrada.
Em outras palavras: o fio dental pode ser uma das vias de exposição a determinados PFAS, especialmente em fios feitos com PTFE, mas não é a única. Água, alimentos, embalagens, tecidos e outros produtos do dia a dia também contribuem para essa carga.

Então… o fio dental faz mal à saúde?
Essa é a pergunta que mais assusta – e a resposta precisa ser equilibrada.
O que sabemos hoje:
- Os PFAS estão associados, em estudos observacionais, a possíveis efeitos sobre sistema hormonal, metabolismo, fígado, rins, sistema imunológico e risco de alguns tipos de câncer; ainda há muito em investigação, mas a preocupação é real.
- Estudos sugerem que alguns fios dentais contendo PTFE/PFAS podem contribuir, sim, com uma parcela dessa exposição.
- Por outro lado, não usar fio dental aumenta de forma clara e bem documentada o risco de gengivite, periodontite, cáries Inter proximais, mau hálito e perda dentária – problemas com impacto direto e evidente na saúde geral e na qualidade de vida.
Ou seja, a pergunta mais honesta não é “usar fio dental faz mal?”, mas:
“Qual fio dental escolher para manter a saúde bucal em dia, reduzindo a exposição desnecessária a PFAS?”
Nenhuma sociedade odontológica séria recomenda parar de usar fio dental por causa dos PFAS. O que especialistas em saúde ambiental e entidades de defesa do consumidor vêm defendendo é: continue usando fio dental, mas dê preferência a opções sem PTFE e sem compostos fluorados.
Como identificar se o seu fio dental pode conter PFAS
Algumas pistas práticas ao olhar rótulo, descrição ou site do produto:
- Procure por termos como PTFE, politetrafluoretileno ou palavras com “fluoro” na lista de ingredientes ou descrição técnica;
- Fios descritos como “super deslizantes”, “Glide” ou com tecnologia semelhante frequentemente utilizam PTFE;
- Marcas que se posicionam como “sem PFAS”, “sem compostos fluorados”, “PFAS-free” ou destacam materiais naturais costumam ser opções mais seguras do ponto de vista químico.
Quando a informação não está clara, isso por si só já é um sinal para buscar alternativas com composição mais transparente.
Opções de fio dental mais seguras para o dia a dia
Hoje já existem várias alternativas eficazes, que não dependem de PTFE para deslizar entre os dentes:
- Fios de seda ou algodão com cera natural
- Fios de fibras vegetais, como bambu
- Fios de nylon com cera vegetal (por exemplo, candelila ou carnaúba)
- Fios com carvão ativado, desde que sem adição de compostos fluorados
Além disso, organizações de consumo e testes independentes vêm divulgando listas de marcas de fio dental sem PFAS, ajudando o paciente a fazer escolhas mais conscientes.
Mais importante que o nome da marca é o conceito: prefira fios livres de PTFE e de compostos fluorados, com composição simples e bem descrita.
Como montar uma rotina de higiene bucal inteligente e segura
Não existe saúde bucal sem rotina. A escolha do fio dental é uma peça desse quebra-cabeça, que deve incluir:
- Escovação cuidadosa após as refeições, com técnica adequada e escova em bom estado;
- Uso diário de fio dental ou fita dental, de preferência sem PTFE/PFAS, adaptado à anatomia dos seus dentes e à sua habilidade manual;
- Possível uso de escovas interdentais em áreas com espaços maiores, sempre sob orientação profissional;
- Limpeza profissional periódica e acompanhamento odontológico regular, para monitorar gengiva, estrutura dentária, restaurações e mucosa;
- Discussão aberta com o dentista sobre produtos específicos (fios, cremes dentais, enxaguantes), especialmente em pacientes com condições sistêmicas, gestantes ou pessoas que desejam reduzir ao máximo a exposição a químicos persistentes.
O objetivo é sempre o mesmo: proteger dentes e gengivas, garantindo uma boca saudável, funcional e confortável, sem ignorar os avanços da ciência sobre os impactos de certas substâncias no organismo.
Cuide da sua saúde bucal com informação na Clínica Debora Ayala
Perguntar se o fio dental pode ser tóxico é, na verdade, um sinal de maturidade em saúde: você não quer apenas seguir orientações de forma automática, mas entender o que está usando no seu corpo e como isso conversa com a sua longevidade e bem-estar.
Na Clínica Debora Ayala, unimos:
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Se você tem dúvidas sobre o tipo de fio dental que usa, quer revisar a sua rotina de higiene ou deseja uma avaliação completa da sua saúde bucal, estamos preparados para orientar você com clareza, evidência científica e acolhimento.
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Dra. Debora Ayala – CRO 41.974/SP
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